segunda-feira, 24 de maio de 2010

Ídolo do São Paulo, Pedro Rocha sofre com doença grave; família acusa clube, que rebate

Reprodução: ESPN.com.br

Apontado por ninguém menos que Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, como um dos cinco maiores jogadores do futebol mundial nos anos 1960 e 1970, o uruguaio Pedro Virgílio Rocha Franchetti, hoje com 67 anos, vive um drama. Um dos principais nomes da história do São Paulo, do Peñarol (URU) e da seleção uruguaia, “El Verdugo” – apelido que ganhou em seu país, algo como “carrasco”, que reforçava sua liderança em campo e força física aliada a uma qualidade técnica assombrosa – luta contra uma doença, a atrofia do mesencéfalo, que afeta diretamente os movimentos e a fala.

No início do mês, Pedro Rocha teve de ser internado às pressas na Santa Casa de Santo Amaro, em São Paulo, após complicações em decorrência de uma gripe forte. Passou dois dias no hospital e voltou para casa depois do susto. Com dificuldades para pagar pelo tratamento, a família do ex-craque recorreu ao Sistema Único de Saúde (SUS), mas o filho de Rocha, que também se chama Pedro, não poupou críticas ao que considera falta de apoio do São Paulo.

Pedro Rocha ao lado de Pelé, que o considerava um dos cinco maiores jogadores do futebol mundial
Crédito da imagem: Divulgação

“O pessoal da diretoria do São Paulo, principalmente o doutor Marco Aurélio (Cunha, superintendente de futebol do clube), sempre liga, mas é mais para perguntar do meu pai”, afirmou o filho de Pedro Rocha em contato com o ESPN.com.br. “O clube não tem ajudado na parte prática. O São Paulo poderia estar fazendo muito mais, está deixando a desejar”, critica Pedro.

Debilitado pela doença que já está em um grau avançado, o ídolo são-paulino passa os dias em casa, na companhia da esposa, Mabel, e do filho, fazendo fisioterapia e recebendo acompanhamento médico. “Não há um tratamento específico para a doença, mas o que a gente vem fazendo é tentar retardar os sintomas”, conta Pedro. “O meu pai faz um pouco de fisioterapia e toma alguns remédios. Infelizmente, a fala está bastante comprometida e ele está numa cadeira de rodas. Ele passa o dia vendo televisão e gosta de assistir aos jogos, mas normalmente não vê esses que passam à noite, porque o recolhemos para dormir mais cedo.”

O filho de Pedro Rocha conta que, inicialmente, a família pensou que “El Verdugo” estava sofrendo de depressão. “Quando a doença começou a piorar, a gente pensou que fosse um estresse elevado, uma depressão. Tomamos conhecimento da doença de um ano para cá”, afirma. “Nessa última internação dele, ficamos com medo de ser uma pneumonia. Mas ele já está de novo em casa e, na medida do possível, está bem.”

São Paulo responde
Em entrevista, por telefone, ao ESPN.com.br, o superintendente de futebol do São Paulo, Marco Aurélio Cunha, que é médico, reagiu com veemência às declarações do filho de Pedro Rocha. O dirigente assegurou que o clube do Morumbi dá todo o apoio ao ex-craque uruguaio e disse que a família de Rocha não comunicou o São Paulo sobre a internação do começo do mês.

“É absolutamente injusto o que ele falou. Eu e o doutor (José) Sanchez (médico do São Paulo) estamos em contato direto com a família do Pedro Rocha. Ele já fez vários tratamentos bancados pelo São Paulo”, afirmou o dirigente. “A questão é que o São Paulo Futebol Clube é uma instituição que não pode ficar socorrendo alguém a todo momento, principalmente quando não sabe o que está acontecendo. Ele ficou internado na Santa Casa, mas eles (os familiares) não nos informaram.”

O superintendente do clube também disse que já enviou remédios à família, muitas vezes pagos do próprio bolso, e acompanhou Pedro Rocha em várias consultas médicas nos últimos anos. “Qual é a responsabilidade que o São Paulo tem sobre o Pedro Rocha? Nós mandamos medicamentos muitas vezes, mas precisamos ser mais bem informados sobre as necessidades”, diz.

“É um paciente que sofre com uma doença que avança gradativamente e que precisa de cuidados. A gente dá a nossa ajuda de uma maneira sigilosa, muitas vezes do nosso próprio bolso, mas é uma situação delicada para o clube. Qual deve ser o critério para definirmos quais jogadores com problemas de saúde serão ajudados pelo clube?”, questiona Marco Aurélio. “A coisa não funciona assim, infelizmente. O São Paulo tem um balanço financeiro, um Conselho Fiscal, e eu não posso retirar um valor de dinheiro sem justificar ao presidente ou a esses órgãos. O São Paulo cumpre à risca seu papel social, mas dentro dos seus limites.”

O dirigente também contou que vem maturando a ideia de criar um instituto com a marca do São Paulo, mas independente do clube, destinado exclusivamente a ajudar ex-jogadores da equipe. “É uma ideia minha, individual, e seria um órgão que teria autonomia e independência para tocar essas ações. Porque o clube não pode arcar com esse ônus. Não é da responsabilidade do clube.”

Craque de quatro Copas do Mundo
Pedro Rocha não foi apontado por Pelé como um dos cinco maiores jogadores do mundo à toa. O craque uruguaio chegou ao São Paulo em setembro de 1970, credenciado por ter feito história com a camisa do Peñarol (URU), clube pelo qual foi tricampeão da Copa Libertadores América (1960/61/66) e bicampeão mundial interclubes (1961/66), além de sete vezes campeão uruguaio (1960/1961/62/63/64/67/68). Ficou no Morumbi até 1977, ano da chegada do técnico Rubens Minelli, que não o aproveitou.

Pedro Rocha em ação pelo São Paulo contra o Corinthians, de Rivellino; 113 gols em 375 jogos no time
Crédito da imagem: Divulgação

Pela seleção uruguaia, Rocha foi o único jogador de seu país a disputar quatro Copas do Mundo: 1962 (Chile), 1966 (Inglaterra), 1970 (México) e 1974 (Alemanha). No Mundial do México, no auge da forma, Rocha quase não jogou, pois se lesionou aos oito minutos da partida de estreia contra Israel – ficou de fora, portanto, da semifinal diante do Brasil. Marcou 16 gols em 71 jogos pela Celeste Olímpica.

Ao chegar ao São Paulo, teve de dividir os holofotes e o rótulo de estrela do time com Gérson, mas não demorou a se adaptar e a ganhar títulos. Foi bicampeão paulista (1971/75) e vice da Libertadores (1974). Individualmente, foi artilheiro do Campeonato Brasileiro de 1972 (17 gols, ao lado de Dadá Maravilha, do Atlético-MG) e da Libertadores de 1974 (sete gols). Em 1973, foi um dos jogadores que ganhou a Bola de Prata da revista PLACAR. Em sua passagem pelo Morumbi, Pedro Rocha marcou 113 gols em 375 jogos – é o 18º jogador que mais atuou na história do clube e o 12º na lista de artilheiros.

No fim da carreira, Rocha ainda teve passagens discretas por Palmeiras, Coritiba, Bangu e pelo Al-Nassar, da Arábia Saudita. Também trabalhou como treinador de futebol em vários clubes, como Portuguesa, Coritiba, Guarani, Ponte Preta, Mogi Mirim, entre outros.

3 comentários:

Anônimo disse...

Porque o Tricolor não paga um plano de saúde pro Pedro Rocha ? Se o cara foi internado pelo SUS é porque não tem um.
Simples assim.
Paga e deixa a familia a vontade. Ponto.
***(*) ******(*)

Anônimo disse...

Como esta a saude atual de Pedro Virgílio Rocha alguém esta ajudando este grande e honesto homem. Fiquei sabendo que ele esta se mantendo com uma cesta básica é verdade?

Humberto pelliciari neto disse...

Diretoria do time para o qual torço desde que nasci
Façam um jogo treino ou qualquer outro tipo de promoção e doem para a família cuidar de um dos melhores jogadores que vestiu a camisa deste clube
Mostrem que o São Paulo é um clube diferenciado

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