segunda-feira, 21 de junho de 2010

Alguém tem que ceder

Reprodução: Portal 2014

A novela São Paulo na Copa 2014 segue, segundo a sinopse inicial, com algumas surpresas para melhorar o IBOPE.

Reitero aqui o já colocado anteriormente: o Morumbi não será o palco do jogo de abertura que tampouco será em São Paulo.

Se houver uma reviravolta total, na novela, a abertura será em São Paulo e no Morumbi.

Não existe mais qualquer viabilidade técnica e econômica para uma nova arena em São Paulo, com capacidade para mais de 65 mil lugares, pronta antes de 2014.

O problema não está apenas no estádio, porém na infraestrutura de acesso.

Com infraestrutura pronta e área para abrigar o estádio e seus acessórios existem duas na cidade de São Paulo e já levandadas como hipóteses: o local onde está hoje o CEASA e outro a área do Jockey Clube de São Paulo. O primeiro é hoje de propriedade federal e dependeria da mudança do centro de abastecimento para outro local, mais distante, com uma localização logística supostamente mais aproriadada. Estudos já foram feitos e abandonados. Poderiam ser retomados. Mas não há mais tempo para 2014.

A área do Jockey Clube de São Paulo é privilegiada e está carregada de dívidas municipais. O Poder Público poderia desapropriar e promover uma PPP para a edificação de um completo esportivo e de lazer. Em tese viável, na prática impossível. Só a tentativa de construir torres na parte lateral já foi embargada por tombamento histórico.

Uma alternativa, ainda que com área menor, seria a Chácara do mesmo Jockey, que fica muito próxima da estação Vila Sônia, da linha amarela (4) do Metrô. São cerca de 150 mil m2, onde a entidade pretende implantar um conjunto residencial com 648 unidades. Não caberia uma arena para a abertura, mas poderia ser uma alternativa do tipo “Engenhão”.

Restariam áreas mais distantes, como a área de Pirituba e algumas na Zona Leste. Todas com deficiências de infraestrutura.

E se é para ir para a Zona Norte, por que não Caieiras onde a Camargo Correa possue uma imensa área, onde até propõe como alternativa para o terceiro aeroporto metropolitano?

São todas alternativas que não ficam em pé quando desenvolvidos os projetos de arquitetura e engenharia, os estudos de viabilidade econômica e ambientais.

Em todas as cidades sede, fora São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, onde os estádios são privados, os respectivos Governos Estaduais assumiram os encargos e riscos de construir ou reformar os estádios.

Seja na forma direta, como Manaus e Cuiabá, como na forma de concessões admistrativas – uma modalidade PPP.

Na concessão administrativa, o parceiro privado faz o investimento, em área do Estado e esse se compromete a suprir uma mesada durante o período da concessão. Na prática dilui no tempo os encargos públicos.

Ao fim do contrato o investimento é revertido para o Estado.

A FIFA e a CBF pressionam para que o Poder Público aporte recursos para os estádios, seja na forma direta ou mediante as PPPs. Por isso fazem carga contra os estádios privados, procurando inviabilizá-las.

Joga com o elemento prestígio: para poder sediar jogos da Copa os respectivos Governos deveriam aportar recursos nos estádios.

A briga principal é em São Paulo, onde Governo Estadual e Municipal não se dispõem a colocar dinheiro presente ou futuro nos estádios, concentrando os recursos na infraestrutura.

Para forçar essa participação a CBF desqualifica o Morumbi. Mas diz que São Paulo não está fora. Pressionando para uma solução pública.

Por mais que existam alternativas não há tempo útil para implantar uma nova arena, com mais de 65 mil lugares, antes de 2014, com recursos públicos. Só o processo de licitação, iniciado agora levará mais de um ano.

É uma questão polêmica e nenhum processo desses passará incólume a ações populares, oposição do Ministério Público e de contestações de concorrentes perdedores.

O “Piritubão” é uma fantasia de quem não conhece a área e se recusa a fazer contas sérias. Se o fizerem verão que o empreendimento é inviável economicamente, dentro de prazos razoáveis de concessão (até 35 anos).

Significará que se pretende que o Poder Público coloque dinheiro orçamentário, vale dizer dos tributos, sem retorno econômico, para ter a abertura da Copa 2014. Valerá a pena?

A sociedade paulistana, ou melhor, os contribuintes paulistanos concordarão?

O que poderia ser uma Copa 2014, no Brasil, mas sem São Paulo?

Na realidade é tudo um jogo de forças e de cena.

No processo alguém tem que ceder.

Jorge Hori

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