quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Dez micos da organização da Copa brasileira em 2010

Reprodução: Portal 2014

Os principais tropeços das cidades-sede, dos governos e do comitê organizador do Mundial

1. Majestoso
Menos para o bem que para o mal, a escolha do estádio paulista da Copa acabou virando uma disputa entre Corinthians e São Paulo. Mas está mais para pelada que para clássico. Desconfia-se que os arranjos políticos (chamados de “influências obscuras” pelo governador do Distrito Federal) tenham prevalecido sobre as decisões técnicas. O São Paulo é desafeto e o Corinthians aliado de Teixeira, o manda-chuva do COL. O Morumbi foi excluído após cinco projetos rejeitados, enquanto o “Itaquerão” ganhou a abertura sem mostrar uma única planta à Fifa. A história promete novos episódios, mas, até segunda ordem, Teixeira bateu o martelo.

2. Miragem
A Copa em Natal é um sonho cada vez mais distante, quase miragem. O governo do estado tentou diversas fórmulas para erguer o Estádio das Dunas, mas nenhuma atraiu investidores. A primeira era a mais interessante. A construção da nova arena seria trocada por terrenos no centro da cidade. Não funcionou. O governo potiguar, então, tentou viabilizar uma Parceria Público-Privada, mas a licitação terminou deserta. Com isso, os natalenses fecham 2010 com um ultimato do Comitê Organizador Local (COL): se não abrirem nova concorrência até o dia 31 estão definitivamente fora da Copa.

3. Propinas e lucros
Como se os gargalos na infraestrutura e na construção de estádios não fossem problemas suficientes para o Brasil, o chefe do comitê que organiza a Copa, Ricardo Teixeira, teve um ano marcado por denúncias. Segundo a rede britânica BBC, o dirigente teria recebido R$ 16 milhões entre 1992 e 1997. O dinheiro foi depositado pela ISL, empresa parceira da Fifa, em conta bancária de Teixeira baseada em paraíso fiscal.  Além desta acusação, o jornal “Lance!” descobriu que o cartola poderá embolsar todo o lucro do Comitê Organizador da Copa, já que é sócio da entidade junto com a CBF, que detém 99,99% do capital social. Detalhe é que o contrato permite distribuição desigual dos ganhos.

4. Os elefantes brancos
Já era público e notório. Mas durante a Copa da África do Sul, em junho, o Tribunal de Contas da União declarou em alto e bom som quais são os potenciais elefantes brancos do Mundial brasileiro. Uma lista sem novidades, com Brasília, Cuiabá, Manaus e Natal. Segundo relatório do órgão, a lotação e o preço do ingresso não compensam a construção dos estádios. A capital federal, por exemplo, quer gastar R$ 700 milhões numa arena para 72 mil pessoas. No futuro, ela será usada por Brasiliense e Gama, clubes que, no momento, frequentam as séries C e D do Brasileirão.

5. Os mais caros
Os estádios da Copa de 2014 não terão a inovação tecnológica de uma Allianz Arena e tampouco a dimensão colossal de um Soccer City. Mesmo assim, custarão mais caro que os primos ricos dos Mundiais alemão e sul-africano. Estudo da consultoria Crowe Horwath RCS de abril mostra que o assento das arenas brasileiras supera os R$ 8 mil, na média. Na Alemanha, a relação foi de R$ 7.145, enquanto que na África do Sul, a média dos 10 estádios rondou os mesmos R$ 8 mil brasileiros.

6. Um estádio de R$ 1,6 bilhão
O valor é digno de obras faraônicas. Com ele seria possível construir e equipar 46 hospitais, 618 escolas ou cobrir todas as despesas com saúde do ano de 2009. Mas toda a dinheirama será vertida para o consórcio OAS/Odebrecht, que vai construir e operar uma remodelada Fonte Nova durante 35 anos. Contanto apenas o valor da obra, R$ 591 milhões, o estádio já teria um dos maiores custos por assento do Mundial brasileiro. O restante vai para manutenção, gestão, impostos etc.

7. Aeroportos não decolam
A Fifa não cansa de repetir que os aeroportos brasileiros são um dos principais, se não o maior, calcanhar de aquiles da Copa brasileira. Mesmo assim, vira e mexe os jornais do país destacam imagens de saguões superlotados, reflexo de uma demanda que cresce acima de 15% ao ano. Para sanar o problema, a Infraero projeta investimento de R$ 5,5 bilhões nos 13 terminais da Copa. Mas a resposta da estatal é lenta. Neste ano, mais de metade das intervenções foi adiada por conta de revisões financeiras do TCU, atrasos em licitações e demora de licenças ambientais. Boa parte das obras deve começar no ano que vem, mas será que decolam?

8. Reforma gigante
Começou com R$ 400 milhões, valor alto levando em conta as duas reformas que o Maracanã sofreu nesta década. No começo de 2010, porém, o leque de mudanças no “Maior do Mundo” já havia se valorizado 50%, chegando a R$ 600 milhões. O governo não explicou o salto, e o mistério permanece, pois até agora ninguém viu o projeto. A segunda estimativa, no entanto, era ainda um mero chute se comparada aos R$ 705 milhões pelos quais o estádio foi licitado em agosto. Com os aditivos previstos no contrato, a reforma pode chegar a R$ 881 milhões – valor superior ao do Allianz Arena e do Soccer City, estádios-símbolo dos Mundiais de 2006 e 2010.

9. Fifa passa carão
Anunciadas em maio de 2009, as sedes da Copa deveriam cumprir um rígido cronograma imposto pela Fifa sob pena de serem riscadas do mapa do Mudial. O primeiro prazo para início das obras, janeiro de 2010, passou sem qualquer sinal de trabalho efetivo, salvo pelo Mineirão, que já tinha obras estruturais. Novo prazo foi fixado para 1º de março, mas nada aconteceu. Teixeira pediu explicações e fixou novo limite, 3 de maio. Apens três cidades responderam positivamente --Cuiabá, Manaus e Salvador-- e ainda em maio, o COL visitou as doze cidades para aferir  como andavam os trabalhos. Desde então não se falou mais em prazos. Agora, em dezembro de 2010, Curitiba, Fortaleza, Natal e São Paulo seguem sem obras.

10. O logo foi uma decepção
O maior mico da Copa talvez tenha sido a logomarca da Fifa para o Mundial de 2014. Anunciada em clima de festa na África do Sul no dia 8 de julho, a marca foi escolhida por um júri de "notáveis" –Ricardo Teixeira, Jérôme Valcke, Oscar Niemeyer, Paulo Coelho, Ivete Sangalo, Hans Donner e Gisele Bündchen– que definiram a composição vencedora como mãos entrelaçadas no formato da Taça Fifa. Já para os torcedores e designers gráficos, um desenho tosco, que decepcionou. "Horrível, lamentável!", desabafou o designer brasileiro Alexandre Wollner. Além das críticas sobre o logo, sobraram dúvidas sobre o processo de escolha movido pela entidade. Foram meses de polêmica, que estimularam a equipe do Portal 2014 a lançar o desafio: "Não gostou do logo da Copa? Então faça!", concurso de ideias que resultou em mais de 300 desenhos.

2 comentários:

Gerson Silva disse...

Torço, mas torço muito pra tudo isso ser o maior "fiasco", nunca antes visto na história deste país.
Porque penso assim? Por que tenho vergonha na cara!

Anônimo disse...

Torço e muito para que daqui a 2 anos não tenha nem 10% pronto.

Por quê?
Porque se essa Copa sair, o Brasil sairá quebrado.
E os tempos de José Sarney voltarão.

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