sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

É grave a crise no Clube dos 13

Reprodução: LANCENET

Editorial
É forte motivo de preocupação a cisão que ameaça o Clube dos 13. São incertos os caminhos pelos quais nosso fut vai se embrenhar a partir da saída do Corinthians e da decisão dos grandes cariocas e de outros clubes de assumir a negociação dos direitos do Campeonato Brasileiro isoladamente.
Parece precipitada, quase uma ingenuidade, a aposta de que o resultado da rebeldia pode ser a formação de uma liga independente, capaz de trazer para o Brasil os bons ventos que há anos transformaram e fortificaram o futebol dos principais países europeus. A Premier League, da Inglaterra, sendo o caso mais bem sucedido. 
Para que isso ocorra, o modelo deve ser outro. O segredo da Liga inglesa – assim como o da organização dos esportes americanos, como a NBA no basquete, a MLB do beisebol ou a NFL do futebol americano – é o profissionalismo de todos os que têm assento à mesa das decisões. E é profissional porque as entidades são empresas, de propriedade privada.
As rivalidades, ali, ficam restrita ao campo, às quadras. Os negócios, direitos de transmissão, a venda de publicidade, as práticas que garantam o equilíbrio das disputas, são tratados sem paixão. Por executivos que olham para o negócio com visão de longo prazo, não para tirar benefícios para esta ou aquela bandeira em detrimento das demais.
Com dirigentes amadores, sem responsabilização por atos temerários e pautados pela preocupação de a cada a dois ou três anos terem de disputar eleições em seus clubes, agradar os sócios, os conselheiros, em busca de votos, pouca coisa poderá avançar numa direção virtuosa.
A briga pelos direitos do Campeonato Brasileiro é apenas mais um exemplo da má gestão do futebol. Não foram poucas as vezes em que tentou-se negociar acordos que beneficiassem o coletivo e os torcedores, inviabilizados, não raro no último momento, pelo recuo em causa própria de um ou de outro.
A lição não será aprendida neste modelo, arriscamo-nos a prever. E esta crise aparenta mais preocupante do que as anteriores.

5 comentários:

Reginaldo Marques disse...

Concordo em parte acho que o futebol necessita de um maior profissionalismo sim, mas transformar clubes em empresas que pode ser adquirida por este ou aquele empresário ou empresa é simplesmente ridículo para os moldes do Brasil. Todos os grandes do Brasil são instituições quase que seculares e o torcedor somente ama seu clube exatamente porque ele se acha um pouco dono dele. Temos de respeitar as características do povo para somente depois propormos as mudanças.

Régis/SP disse...

No São Paulo a salvação para se acabar com todo imbróglio jurídico em torno da sucessão presidencial do clube seria transformar a parte do futebol em empresa, pois se percebe que no São Paulo existem duas instituições: o clube social e o clube do futebol.
Numa S/A jamais teríamos isso. Um bom presidente (CEO) ficaria no poder caso sua administração fosse bem avaliada pelos conselheiros. Não teria porque termos uma sucessão ridícula a cada dois/três anos, sob o risco de termos, por exemplo, a volta de Paulo Amaral ou Fernando José Casal de Rey ao poder (se bem que eu já falei isso quando o JJ voltou à presidência do SPFC).
Mas hoje no Brasil, isso é quase impossível, pois para transformar um clube em empresa, só mesmo com uma resolução superior (do governo, por exemplo, ou da CBF, ah ah ah), já que um clube por livre e espontânea vontade precisaria se desmutualizar e pagar seus sócios pelo valor do seu título de sócio (se só a parte do futebol, seria necessário fazer uma avaliação patrimonial detalhada do quanto representa o futebol. Já imaginaram os conflitos de interesses?).
A parte pior é que todos os sócios precisariam aprovar essa decisão.
No São Paulo isso jamais ocorreria, uma vez que mais de cerca de 50% do quadro de associados torcem por outros times. E todos sabem que boa parte dos recursos do social vem do futebol, pois vocês conhecem algum clube social em São Paulo que esteja superavitário?
A partir dai, sim, poderíamos pensar em profissionalismo dos dirigentes.
Quanto ao futebol brasileiro ter um ingrediente cultural e não ter como se adaptar a essa ideia de empresa, recomendo apenas conhecer um pouco da história do futebol inglês. Não existe nada mais fanático culturalmente do que o torcedor inglês. E a cultura dele é centenária, com raízes muitas vezes ligadas a questões étnicas.
Os hooligans, então, eram parte dessa cultura. Símbolo tão impossível de ser destruído quanto o Big Ben. Ou seja, o vandalismo, era uma questão cultural que fazia parte do espetáculo (guardadas as devidas proporções, mais menos como algumas torcidas uniformizadas, apoiadas por políticos).
Tudo isso mudou no futebol inglês num prazo 10 a 15 anos. Os holigans foram banidos, os estádios foram reformados (não existem mais alambrados) e quase todos os clubes se transformaram em empresas (e aqueles que ainda continuaram como associações não possuem mais vantagem alguma). Tudo isso com mão do governo.
E cultura? Foi modificada, também. Alguns até hoje são contra, mas é uma questão de tempo da nova cultura ser totalmente adaptada aos novos fãs que vão surgindo e eliminando os poucos problemas que ainda existem no seu futebol.
Talvez a única diferença seja que a Inglaterra já existia no ano 1.000 D.C. e nós só fomos descobertos 500 anos depois. Só estamos 500 anos atrasados em relação a eles.

Borba disse...

Mais secular que a Inglaterra, Reginaldo?

Reginaldo Marques disse...

Galera é exatamente isso que estou falando. Acho temerario se comparar culturas como as da europa com a nossa. Devemos criar a nossa propria formula e não simplesmente fazer um copy cola da cultura alheia.

Régis/SP disse...

A questão que eu quis mostrar é que se a Inglaterra, instituição tão secular e tradicionalista, conseguiu mudar a cultura de seus clubes e torcedores, muito mais enraizada do que a nossa, por que nós não podemos mudar?
Não precisa ser exatamente nos moldes da Inglaterra, mas podemos muito bem copiar boa parte do exemplo deles que deu certo.
Talvez, assim, não precisaremos esperar 500 anos para chegarmos ao nível deles.

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