sábado, 2 de abril de 2011

Carpegiani inventa até nas trocas

Reprodução: Folha.com 
Rafael Reis

Com alterações heterodoxas, treinador consome todas as substituições em 2011

Paulo César Carpegiani adora substituições. E, para ele, mexer no time não é simplesmente trocar atletas de características semelhantes.
Entre os técnicos dos quatro grandes clubes do Estado, o são-paulino é o que mais faz alterações pouco tradicionais durante a partida.
Em metade das substituições desta temporada, o treinador tirou um jogador de uma posição para pôr em campo um atleta de outra.
Luiz Felipe Scolari (Palmeiras), Tite (Corinthians) e Marcelo Martelotte (Santos) fazem pelo menos 10% a mais de trocas na linha "seis por meia dúzia" do que o sempre ousado Carpegiani.
O treinador são-paulino não costuma perder nenhuma chance de alterar sua equipe. Ele gastou as três substituições possíveis em todos os 18 jogos de 2011.
"Perdendo a gente tem que mexer, né? Já quando estou ganhando a partida, gosto de pôr todo mundo em campo, para rodar o elenco", declarou Carpegiani.
Entre as 54 mexidas efetuadas pelo treinador nesta temporada, praticamente todas as opções foram exploradas. Desde as mais tradicionais, como trocar um meia por um atacante, até as pouco usuais, como tirar um lateral para pôr um volante.
Foi o que Carpegiani fez na derrota por 1 a 0 para o Santa Cruz, quarta, pela Copa do Brasil. Atrás no marcador, sacou Juan no intervalo para colocar Carlinhos Paraíba. A substituição obrigou o zagueiro Miranda a atuar improvisado na lateral esquerda em alguns momentos.
Na tentativa de reverter o placar, ele trocou ainda o volante Rodrigo Souto pelo meia-atacante Marlos e o armador Rivaldo por Ilsinho, lateral direito de origem que joga quase como ponta hoje.
"Não troco muito lateral por lateral. Mas o que eu faço tem fundamento. É só prestar atenção", garantiu o treinador do clube do Morumbi.
Mesmo gastando as três alterações, terminou o jogo sem nenhum centroavante, o que gerou uma alfinetada do zagueiro Alex Silva, que se lançou para a área adversária nos minutos finais.
Ontem, admitiu que possivelmente tenha errado ao deixar o atacante Willian José no banco de reservas durante toda a partida.
Curiosamente, Carpegiani não costuma pecar pela falta de ofensividade. Mesmo quando o São Paulo está vencendo, não gosta de substituir para "segurar o placar". Sua alteração mais comum do ano é a troca de um volante por um meia-atacante.
Prefere ir à frente em busca de gols, mesmo que isso lhe custe o resultado positivo.

Um comentário:

Anônimo disse...

Deixando de lado as questões dele estar exagerando e/ou acertando nas substituições, eu prefiro um técnico que tenta mudar o time quando acha que as coisas não estão indo bem. Não aguento técnico que mantém jogador fazendo besteira e esquema que não está funcionando só para ficar na sua "zona de conforto".

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