domingo, 3 de abril de 2011

E o preço dos estádios já começa a subir...

Reprodução: ESTADÃO.COM.BR
Almir Leite

Obras ainda estão no início, mas várias arenas tiveram os orçamentos refeitos, sob os mais variados argumentos

A reforma do Maracanã para a Copa de 2014 iria custar, inicialmente, R$ 705 milhões, mas os cálculos já foram revistos e estão atualmente em R$ 1,1 bilhão. Na construção da Arena do Corinthians, em vez de se gastar R$ 600 milhões se fala em R$ 700 milhões. O Beira-Rio viu a expectativa de consumir R$ 130 milhões pular para R$ 270 milhões. Vários outros estádios que serão usados no Mundial também já tiveram o orçamento alterado. Para cima, claro. E as obras ainda estão no começo, o que leva a crer que mais recálculos virão por aí.
As justificativas para a revisão nos investimentos são as mais variadas. No Maracanã, por exemplo, a cobertura terá de ser refeita, o que não estava contemplado. Na Arena Pantanal, em Cuiabá, os custos inicialmente estimados em R$ 342 milhões deverão ser reprogramados para até R$ 500 milhões porque, segundo o comitê local, ainda não foram feitas as licitações para a instalação do placar eletrônico, das cadeiras e dos serviços de tecnologia de informação.
Caso raro de estádio do Mundial que terá a reforma bancada com dinheiro privado, o Beira-Rio também já experimentou alteração de valores. A mudança ocorreu porque o clube decidiu, há dez dias, optar por um projeto de reforma mais amplo que o anterior e que vai ser pago com a ajuda de um parceiro - que o Inter ainda busca -, e não com recursos totalmente próprios.
Em troca do investimento, o parceiro, com quase toda certeza uma empreiteira, vai poder explorar receitas com novos camarotes e um edifício-garagem que será construído no entorno do estádio. Mas o Conselho Deliberativo do clube gaúcho vai exigir, por contrato, que o parceiro concorde em fazer acordo com "preço fechado"" para concluir a reforma. Ou seja, terá de arcar com eventuais aumentos de custos.

Alerta
O problema é que na maioria dos contratos que vão envolver recursos públicos essa garantia não existe ou são permitidos aditivos, o que pode possibilitar explosões nos orçamentos. Há ainda o temor de que eventuais atrasos nas obras, o que torna os prazos mais apertados e acaba exigindo "esforços extras"" para que sejam cumpridos, também faça o dinheiro do contribuinte escorrer pelo ralo.
"Nas urgências, os orçamentos duplicam. Isso preocupa"", admitiu o presidente do Instituto Ethos, Jorge Abrahão, por ocasião do lançamento do projeto Jogos Limpos Dentro de Fora dos Estádios. "Mas precisamos ser otimistas.""
O "Jogos Limpos"" tem entre seus objetivos principais buscar a transparência de governantes e empresas envolvidos com obras da Copa (e também da Olimpíada do Rio), sejam elas de arenas ou de infraestrutura. O governo federal também promete fiscalizar o uso do dinheiro - até porque estudo feito pelo Tribunal de Contas da União (TCU) concluiu que 98,5% do valor que será investido no Mundial sairão dos cofres públicos - e garantiu que colocará efetivamente em ação ainda este mês o portal da transparência, para acompanhar (e permitir o acompanhamento) de obras e os consequentes gastos.

Indefinições
Apesar da irritação de autoridades esportivas e políticas com a cobrança feita esta semana pelo presidente da Fifa, Joseph Blatter, irritado com o atraso nos preparativos para a Copa, o fato é que ainda há indefinições sérias. O projeto do estádio em Itaquera, por exemplo, nem sequer foi aprovado.
O Maracanã já está em obras. Mas ainda não tem o projeto e o orçamento definitivos da reforma - deverá ser entregue no dia 15 ao TCU. Essa indefinição preocupa. Recentemente, o ministro-chefe da Controladoria Geral da União (CGU), Jorge Hage Sobrinho, fez um alerta claro e objetivo ao Rio: não quer alterações no orçamento. "O que vier definido, tem de valer"", avisou.

Um comentário:

Anônimo disse...

Vai ter muito partido, político, CBF, emissoras, dirigentes de futebol mamando horrores nas tetas do governo, o pior é que ninguém faz nada, Maracanã custando 1 bilhão e nego achando graça, puta país de merda é o nosso.

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