segunda-feira, 23 de maio de 2011

Aporte escancara racha no marketing do São Paulo

Reprodução: Máquina do Esporte
Guilherme Costa

“Nós não temos nada contra o modelo utilizado pelo Corinthians, que colocou uma série de patrocinadores em seus uniformes, mas temos outra ideia aqui. Temos espaços para apenas duas marcas nas nossas camisas”. A declaração foi dada por Júlio Casares, vice-presidente de comunicações e marketing do São Paulo, em junho de 2009. Menos de dois anos depois, o time do Morumbi apresentou a Ale, sexta empresa que aparecerá até o fim da temporada no fardamento tricolor. Com isso, escancarou um racha em sua diretoria.
A negociação com a Ale, que foi intermediada pela agência de marketing esportivo TWF, foi inteiramente conduzida por Adalberto Dellape Batista, que era diretor de marketing do São Paulo. Na última quinta-feira, o presidente Juvenal Juvêncio oficializou a migração do executivo para a diretoria de futebol.
As conversas entre Ale e São Paulo começaram quando o clube procurava cotistas para o projeto Luis Fabiano. O retorno do camisa 9 ao Morumbi, baseado em um extenso planejamento de marketing, também foi conduzido por Batista.
O que os fatos mostram é uma diferença de visão entre Batista e Casares sobre a política de patrocínios do São Paulo. Enquanto o vice-presidente sempre defendeu o uso de poucas marcas e a valorização de parcerias de longo prazo, o diretor conduziu negócios pontuais e criou novas propriedades comerciais no uniforme.
No entanto, uma frase dita por Batista na última quinta-feira mostrou que a situação é ainda pior. “Isso é uma manifestação de torcedor. Em nenhum momento o São Paulo teve uma posição oficial contrária a ter mais patrocínios”, disse o diretor, em entrevista coletiva, quando foi questionado sobre as declarações de Casares em 2009.
A Ale estampará até dezembro deste ano os calções (perna direita, acima do número) e os ombros (lado esquerdo no uniforme branco, lado direito no uniforme vermelho) do São Paulo. Para isso, a empresa pagou R$ 2 milhões.
O São Paulo ainda tem no uniforme as marcas de BMG (peito e costas), Yázigi (mangas), TIM (interior do número), Copagaz (barra traseira da camisa) e Reebok (fornecedora de material esportivo). Na estreia do atacante Luis Fabiano, a Visa ainda vai aparecer na altura da barriga dos atletas, abaixo das faixas horizontais.
A diluição dos acordos comerciais foi o meio encontrado pela diretoria do São Paulo para se aproximar de uma meta de R$ 40 milhões de arrecadação de patrocínio que o clube havia estabelecido para este ano. Segundo Batista, o time tricolor ficou perto desse valor após ter fechado com a Ale.
O problema é que o diretor de marketing, que conseguiu impor suas opiniões nas últimas decisões da pasta, não responde mais por essa área. O novo ocupante do cargo é Rogê David, que já entra em um cenário conturbado.
No início de sua trajetória no cargo, David tem dois caminhos: pode manter a política implantada por Batista, que mostrou força e que não está mais na pasta, ou pode retomar preceitos defendidos por Casares, que no organograma está acima dele.
A estocada de Batista em Casares só mostrou que essa disputa entre os dois dirigentes é mais do que ideológica. Os dois dirigentes foram procurados pela reportagem da Máquina do Esporte, assim como David, mas nenhum deles atendeu as ligações.

Comentário do blog
Não sei se há realmente algum atrito entre Adalberto Baptista e Julio Casares, mas que o vice-presidente de marketing tem andado meio sumido ultimamente isso tem.

Um comentário:

Anônimo disse...

Não acredito em racha, porque esta discussão não deixa de ser uma bobagem. O clube tem despesas que precisam ser pagas. Ainda bem que existem patrocinadores interessados. O resto é bobagem.

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