sexta-feira, 3 de junho de 2011

"A gente sofria isso na pele", diz novo diretor do São Paulo

Reprodução: iG
Mário André Monteiro

Dorival Decoussau, pai de Caio Ribeiro, assumiu o setor de comunicação do clube e tem o lema de evitar polêmicas

Desde o último dia 19 de maio, o São Paulo tem um novo diretor de comunicação. Nomeado pelo reeleito presidente Juvenal Juvêncio, Dorival José Decoussau aos poucos vai implementando sua filosofia de trabalho dentro da nova função no clube paulista.
Pai do ex-jogador e atualmente comentarista Caio Ribeiro, Dorival falou com exclusividade ao iG e contou que prega, acima de tudo, a transparência e a verdade. Ele revelou também como pretende melhorar o relacionamento com a imprensa e torcedores, falou sobre o trabalho de seu filho na TV Globo e disse que já conversou com Juvenal sobre suas alfinetadas nos rivais.
"Como a comunicação tem como função o contato com a mídia, relacionamento com imprensa, precisamos tomar muito cuidado para ser o mais ético e transparente possível. A gente lida com paixão, é uma coisa complicada", disse o dirigente.
Dorival avaliou que sua linha é a de tomar bastante cuidado com as polêmicas dentro do clube, sempre com cautela. "Temos que procurar alimentar a mídia com o maior número possível de informações pra que possam divulgar a coletividade são-paulina com e fazer isso com cuidado e bastante transparência", disse.

COMO CONTROLAR OS JOGADORES?
Recentemente, Alex Silva cutucou e criticou o presidente do clube través do Twitter por não definir logo sua situação contratual. O fato foi determinante para saída do zagueiro do São Paulo.
"Existe um debate sobre redes sociais, se deve-se ou não impedir ou controlar. É muito difícil de controlar um Twitter pessoal de alguém. É claro que o jogador assume o que escreveu. Mas podemos recomendar e sugerir", avaliou Dorival.
Pensando nas declarações polêmicas dos jogadores, Decoussau disse que pretende conversar com João Paulo de Jesus Lopes, vice de futebol, e com Adalberto Baptista, diretor de futebol, para adotar uma postura mais conservadora nesse sentido.
"Jogador é complicado. O que eu me proponho a fazer é conversar com ambos no sentido de procurar adotar essa linha e evitar falar sob forte emoção. É difícil, mas vamos tentar", comentou Dorival, completando que não pretende interagir diretamente com os jogadores.

JUVENAL JUVÊNCIO É QUEM MANDA
O presidente são-paulino, reeleito no final de abril, é famoso por falar pouco com a imprensa. Mas quando resolve falar, costuma soltar pérolas, cutucar rivais e se vangloriar do modo centralizador com o qual administra o clube. Dorival admite que já conversou com Juvenal, mas que não há muito o que fazer nessa questão.
"Já falei alguma coisa, vou voltar a falar com ele. Mas, obviamente, ele como presidente e autoridade máxima pode ouvir sugestões, mas a palavra final é dele, tão somente, e ele fala o que acha que deve falar", disse.
Dorival Decoussau e Juvenal Juvêncio se conhecem desde 2003, quando o primeiro assumiu a dietoria de marketing e o segundo a de futebol na gestão do falecido presidente Marcelo Portugal Gouvêa. "Nos conhecemos muito bem e por isso indicou meu nome para ajudar no setor de comunicação", comentou Dorival.

TAL PAI, TAL FILHO
Dorival é pai do ex-atacante Caio Ribeiro, que foi revelado no São Paulo e passou também por outros clubes grandes, como Santos, Fluminense, Flamengo, Grêmio e Botafogo, além de defender Inter de Milão e Napoli. Atualmente é comentarista da TV Globo.
O "DNA da paz" que passou de pai para filho é notável. Caio é conhecido pelos seus comentários políticos nas transmissões dos jogos, fato que agrada o seu pai. "O Caio segue a mesma linha que eu. Quando vamos comentar alguma coisa, vamos falar do atleta enquanto ele está no exercício da profissão, não sobre o homem. É preciso tomar cuidado com isso, porque todos têm família, filhos, esposa", disse Dorival.
O dirigente são-paulino assegurou que não conversa com Caio sobre sua performance na TV e não fez ressalvas sobre seus comentários.
"Sinceramente eu não interfiro em nada do que o Caio faz. Ele tem uma linha de comentários que evidentemente nem sempre é tão polêmico. No outro lado da moeda tem a polêmica nem sempre verdadeira. O que eu me bato é contra a mentira, falsa colocação. Ou a colocação irresponsável", avisou.
Decoussau disse que foi pai de um jogador de futebol durante muitos anos, e que "entende muito bem a questão de meias verdades ou de sensacionalismo turvo e absolutamente inóquo, sem nenhum fundamento". Ele disse ser totalmente contra isso. "Sei que o caio também é e por isso apoio 100% o que ele fala", completou.
Caio pendurou as chuteiras em 2005, com apenas 30 anos de idade. Porém, a carreira encurtada viveu alguns momentos de turbulência, fato que motivou Dorival a adotar a postura mais conservadora, sem entrar em polêmicas e prezar sempre pela verdade.
"A gente sofria isso na pele. Quantas reportagens mentirosas li a respeito do Caio, quanta coisa absurda eu ouvi. É fácil dar uma notícia desse tipo, mas depois para desmentir isso é dificílimo. Por isso tem que ter muito cuidado com o que se fala. Não quero policiar ninguém, mas todos devem noticiar a verdade", comentou o cartola.
Dorival criticou também o que ele chama de "setores da mídia esportiva" que usam a polêmica como marketing pessoal. "Não vou citar nomes, mas tem aqueles que julgam e diminuem os jogadores para se promoverem. Tem que analisar o que o atleta faz em campo, sem ofendê-lo, sem desmerecê-lo, sem dinamitá-lo, como o Caio faz. Quem achar que essa é uma linha boa, tudo bem. Quem não achar, que procure outra mídia que gosta de polêmica", finalizou.

Comentário do blog

Gostei deste posicionamento. Chega de dirigente fazendo provocações e brincadeiras fora de hora.

Marco A. Cunha, assim como JJ e Casares, tem essa mania de fazer “graça”. Não aprovo. Aqui é São Paulo Futebol Clube!
Devemos respoder as provocações com trabalho e títulos.

Um comentário:

Alan D'Avila disse...

Muito bom, é assim que realmente tem que ser!!!

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