terça-feira, 14 de junho de 2011

Três anos para a Copa. Como estão as cidades-sede?

Reprodução: Portal 2014
Rafael Massimino
Diego Salgado

Sexta-feira, 13 de junho de 2014, 15 horas.

Daqui a exatos três anos, Brasília, Belo Horizonte, Salvador ou São Paulo podem receber o jogo de abertura da Copa do Mundo de Futebol. O Brasil tem exatos 1.095 dias para concluir os estádios, ampliar os sistemas de mobilidade urbana, e modernizar os aeroportos para receber os atletas, jornalistas e torcedores que virão ao país do futebol para ver o Mundial de 2014. Desde que o país foi escolhido para sediar a Copa, em outubro de 2007, já se passaram 1.323 dias, boa parte deles perdida em problemas administrativos, questionamentos dos órgãos fiscalizadores, dificuldades de financiamento e uma série interminável de óbices nascidos da falta de planejamento.
Para marcar a data, a equipe de jornalistas do Portal 2014 checou o andamento dos principais projetos, cidade por cidade. Os estádios, principal item para a realização da Copa, seguem em andamento, exceto em São Paulo --onde os trabalhos ainda não passaram da terraplenagem-- e Natal, sem sinal de obras. Os maiores problemas encontram-se justamente nos projetos que poderiam deixar algum legado para o país: sistemas de transporte urbano e aeroportos. Confira o panorama em todo o Brasil.

Estádios
Na candidatura brasileira ao Mundial, em 2007, a Confederação Brasileira de Futebol apresentou orçamento de U$ 1,1 bilhão (na época, algo em torno de R$ 1,94 bilhão) para reformar ou construir 18 estádios.
Mas depois de escolhidas as 12 cidades-sede, em 2009, o que se viu foi uma completa inversão de rota. O custo dos estádios disparou e está na casa dos R$ 6,75 bilhões. Este valor deve subir ainda mais, já que boa parte dos contratos não prevê a compra de assentos, refletores, gramados e das intervenções ao redor das arenas.
Junto com o aumento de 348% no orçamento dos estádios, o modelo de financiamento também mudou. Apenas Curitiba, Porto Alegre e São Paulo terão recursos privados nas arenas.
Ainda assim, a prefeitura da capital paranaense terá que liberar R$ 90 milhões em potencial construtivo para as obras da Arena da Baixada, enquanto a capital paulista abrirá mão de R$ 420 milhões em impostos pelo Itaquerão.
Mesmo com a abundância de recursos, as obras avançam lentamente. Nenhum estádio conseguiu a liberação de empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que aguarda a revisão de contratos ou a apresentação dos projetos executivos.

Mobilidade urbana
Entre os projetos da Copa de 2014, são os de mobilidade urbana que chamam menos atenção. Talvez por isso sejam também os mais emperrados. Das 50 obras listadas como prioritárias para melhorar o deslocamento da população e de torcedores nas cidades-sede, que chegam a R$ 11,8 bilhões, apenas duas começaram.
Levantamento do governo federal calcula que 58% dos projetos de monotrilhos, Veículos Leves Sobre Trilhos (VLT), Bus Rapid Transit (BRT) e vias expressas tiveram atraso no cronograma. Isso levou a presidente Dilma Rousseff a dizer que, se as obras não começarem até dezembro, serão rebaixadas do PAC da Copa para o PAC normal, perdendo condições mais favoráveis de financiamento.
As sedes alegam problemas diversos para a lentidão. Um dos entraves são as desapropriações. Em reunião com Dilma no mês passado, os prefeitos pediram regras mais brandas para remover os moradores. O argumento é que a burocracia estaria impedindo o avanço dos projetos.
A situação preocupa. Relatório da ONU divulgado em abril aponta que obras da Copa violaram o direito a moradia em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Recife, Natal e Fortaleza.
Além da truculência, a dificuldade para fazer avançar os projetos se reflete na ausência de recursos para as obras. Cinco cidades não conseguiram empréstimo da Caixa Econômica Federal, que administra o PAC da Copa (Manaus, Recife, Fortaleza, Natal e Brasília).
Algumas sedes começaram a recuar: o governador do Amazonas afirmou que o monotrilho e o BRT de Manaus são desnecessários para a Copa; Fortaleza reduziu o número de projetos.

Cuiabá, Recife e Salvador ainda não definiram se adotarão o BRT (corredor de ônibus exclusivo) ou o VLT (espécie de metrô de superfície). São Paulo pretende usar mais de R$ 1 bilhão do PAC para um monotrilho a 30 km do seu estádio.

Aeroportos
Considerado o principal calcanhar de aquiles da preparação brasileira, os 13 aeroportos da Copa têm previsão de receber R$ 5,23 bilhões em investimentos. Estão projetadas 24 obras, mas apenas cinco estão em andamento. Sob responsabilidade da Infraero, 16 intervenções já foram adiadas.
O cenário gerou críticas do presidente da Fifa, Joseph Blatter, e do secretário-geral da entidade, Jerome Valcke. “Talvez tenhamos que tocar o sino no Brasil para dizer que a Copa é em três anos e meio”, disse Blatter há seis meses.
Em abril, o alerta se intensificou com o lançamento de um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Segundo o levantamento, as obras de nove aeroportos não serão estarão prontas até 2014, o que pode fazer com que o Brasil passe um vexame de proporções mundiais.
Até lá, a Infraero prevê a instalação de terminais provisórios em cinco aeroportos para minimizar problemas com o aumento da demanda. Os "puxadinhos" estarão em Brasília, Porto Alegre, Cuiabá, Campinas (SP) e Guarulhos (SP).
Em março, o governo criou a Secretaria Nacional de Aviação Civil. A primeira iniciativa foi conceder três aeroportos à iniciativa privada. Guarulhos, Viracopos e Brasília terão investidores privados, com a participação de até 49% da Infraero. A previsão é que Confins (MG) e Galeão (RJ) também passem pelo processo.
Imagem: Blog Planeta Água/Maracanã antes das obras. Haverá legado para a cidade em volta?

DOZE CIDADES-SEDE

Belo Horizonte
Estádio: Segue cronogramas, mas não apresentou projeto executivo.
Mobilidade: mudanças nos projetos executivos adiaram as intervenções de 2010 para 2011.
Aeroporto: Reforma do terminal em fase de licitação.

Brasília
Estádio: Ministério Público ameaça cancelar contrato por falta de garantias financeiras.
Mobilidade: Obra do VLT começou em 2009, mas está parada por conta de irregularidades.
Aeroporto: Obra deve começar em agosto de 2012.

Cuiabá
Estádio: Fora da Copa das Confederações, já atrasou sete meses.
Mobilidade: Governo ainda oscila entre BRT e VLT. Desapropriações não começaram.
Aeroporto: Reforma do terminal e sistema viário prevista para março de 2012.

Curitiba
Estádio: custo subiu até 63%; construtora não foi contratada.
Mobilidade: Governo teve que revisar projetos, provocando atrasos nas licitações.
Aeroporto: Projetos em fase de licitação.

Fortaleza
Estádio: fora da Copa das Confederações, foi uma dos últimas a começar as obras.
Mobilidade: Obras do VLT, de quatro BRTs e ampliação de avenidas foram adiadas em até nove meses.
Aeroporto: Edital ainda não foi publicado.

Manaus
Estádio: Fora da Copa das Confederações, possui denúncia de sobrepreço.
Mobilidade: Monotrilho e BRT não deslancham. Governo admite jogar a toalha.
Aeroporto: Edital para reforma do terminal foi lançado em maio.

Natal
Estádio: Obra mais atrasada da Copa, ainda não começou.
Mobilidade: reformas nas principais vias da cidade estão um ano atrasadas.
Aeroporto de São Gonçalo do Amarante: consórcio deve ser escolhido em 19 de julho.

Porto Alegre
Estádio: custo subiu 93% após entrada de empreiteira.
Mobilidade: Governo não conseguiu contratar 90% dos projetos.
Aeroporto: Projetos em fase de licitação.

Recife
Estádio: Ministério Público contesta edital de Parceria Público-Privada.
Mobilidade: Governo oscila entre BRT e VLT. Atrasos já chegam a cinco meses.
Aeroporto: Implantação de nova torre de controle prevista para janeiro de 2012.

Rio de Janeiro
Estádio: Orçamento subiu de R$ 705 milhões para quase R$ 1 bilhão (41%).
Mobilidade: BRT Transcarioca começou em fevereiro, com atraso de quase um ano.
Aeroporto do Galeão: Reforma do terminal 1 em andamento.

Salvador
Estádio: Custo pode ter subido de R$ 591 milhões para R$ 835 milhões (41%).
Mobilidade: Com nove meses de atraso, governo da Bahia ainda não decidiu se adotará BRT ou VLT.
Aeroporto: Reforma do terminal marcada para junho de 2012.

São Paulo
Estádio: obra começou recentemente, mas não tem garantia financeira; custo subiu 52%.
Mobilidade: governo usará financiamento para obra não relacionada à Copa.
Aeroporto de Guarulhos: Edital da concessão do terminal 3 deve sair em dezembro.
Aeroporto de Viracopos: Construção de novo terminal deve começar em junho.

3 comentários:

Anônimo disse...

Os cofres públicos vão sangrar pra fazer a festa de meia duzia e dos gringos mundo a fora, pra gente fica a conta!



Helder

Alan D'Avila disse...

Bosta! Em cima da hora resolvem tudo, depois de 6 meses terá de ser tudo refeito para as Olimpíadas.

Diego Fontecilla disse...

O curioso dessa notícia é a parte que diz "Apenas Curitiba, Porto Alegre e SÃO PAULO terão recursos privados nas arenas"...

Postar um comentário