sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Balanço Copa 2014: Apoiada em estádio quase pronto, Curitiba se vê à frente de outras sedes


Reprodução: globoesporte.com
Leandro Canônico

Coordenador da capital paranaense diz que cidade está 'adiantada' e crê que situação da Arena da Baixada garante tranquilidade para outros projetos


Curitiba é considerada uma das mais bem estruturadas capitais do Brasil. E na preparação para a Copa do Mundo de 2014, a sede paranaense acredita estar fazendo jus a essa fama. Tanto que o Mário Celso Cunha, secretário estadual para assuntos do Mundial, vê a cidade bem adiantada em relação às outras 11.
- Estamos bem adiantados. Esta semana estou encaminhando para o ministério do esporte como estão nossos projetos – resumiu o coordenador.
A principal muleta para manter esse pensamento é a Arena da Baixada, do Atlético-PR. O estádio já atende muitas das exigências da Fifa, mas ainda precisa completar 30% do local para cumprir 100% dos pedidos da entidade máxima do futebol. Enquanto isso, o investimento na capacitação de pessoal tem sido o carro chefe.
- O investimento na capacitação de pessoas está muito grande. Até a Copa do Mundo serão mais de 20 mil pessoas com inglês e espanhol fluentes. Não só na rede hoteleira, mas também na parte de segurança, nos táxis, nos restaurantes. Todos serão usados de alguma maneira na Copa do Mundo.
Esta quinta-feira é o dia de Curitiba na série de matérias sobre as sedes da Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Confira abaixo como estão as obras na capital paranaense e o que está sendo feito nos preparativos para o próximo Mundial.

ESTÁDIO
Assim como em São Paulo (Corinthians) e Porto Alegre (Internacional), o estádio para a Copa do Mundo de 2014 em Curitiba pertence a um clube, o Atlético-PR. O investimento, no entanto, não será somente privado. O Furacão contará com ajuda da prefeitura e do estado para arcar com os R$ 220 milhões da reforma.
O custo é um dos mais baixos das 12 sedes porque a Arena da Baixada, um dos estádios mais modernos do Brasil, está, segundo o clube e o comitê local, 70% pronta. Mesmo assim, as exigências da Fifa com os 30% restantes aumentaram recentemente o orçamento em R$ 85 milhões.
- Claro que nos dá mais tranquilidade. Temos 70% de área construída. Outro dia alguém disse na imprensa que não existe obra na Arena da Baixada, mas temos um estádio quase pronto – falou Cunha.

LEGADO PARA A CIDADE
Curitiba mais forte como referência internacional em urbanismo. É esse o principal legado que o município espera deixar depois da Copa do Mundo de 2014. Considerada uma das melhores capitais do Brasil, a cidade tem investido pesado em projetos de mobilidade urbana, ampliando também para região metropolitana.
- Vamos transformar a cidade em um verdadeiro canteiro de obras a partir do final deste ano e com certeza vamos ter um ótimo legado de estrutura. Hoje já estamos com 600 obras em andamento na cidade, muitas delas para a Copa do Mundo – declarou o secretário estadual Mário Celso Cunha.
Os envolvidos no projeto de Curitiba para o Mundial de 2014 também esperam deixar legados que possam aumentar o turismo na região. Não só na capital, mas também em Foz do Iguaçu, na Estrada da Graciosa, no cânion Guartelá, no Parque de Vila Velha e na Ilha do Mel, no litoral.
Além disso, existe a expectativa de que depois de 2014 muitos cidadãos de Curitiba tenham adquirido qualificação profissional para buscarem chances melhores.

OBJETIVOS
Curitiba sabe que, com um estádio para 41 mil pessoas, não terá condições de ir muito longe na Copa, já que a Fifa exige arenas maiores nas fases mais importantes. Para compensar isso, a capital paranaense espera abrigar importantes seleções. Talvez aquelas que tenham colônias significativas no estado.
O intuito não é apenas receber jogos dessas seleções, mas de repente abrigá-las em suas preparações. O foco também está nos sul-americanos, por conta da fronteira com Paraguai e Argentina. Mas tudo isso depende da definição das 31 classificadas para o Mundial – o Brasil, como anfitrião, já tem vaga.
- Vamos procurar as embaixadas e ver o que podemos ter na nossa cidade. Além de países que temos relações por contas das colônias, como Alemanha, Itália, Polônia e Ucrânia, também vamos procurar os sul-americanos, porque fazemos fronteira com Paraguai e Argentina – explicou Cunha.

AEROPORTOS
Segundo o comitê de Curitiba, o Governo Federal vai investir R$ 100 milhões em melhorias no Aeroporto Internacional Afonso Pena. As principais obras serão no pátio de aeronaves, no de táxi, no estacionamento e no terminal de passageiros. No momento, porém, há obras apenas na área onde ficam os aviões.
Recentemente, o aeroporto Afonso Pena conta com apenas seis posições fixas para o estacionamento das aeronaves. O projeto prevê a ampliação para nove. Assim, a maioria dos passageiros poderá embarcar e desembarcar nos aviões sem a necessidade de ônibus para se locomover.
Conhecido como o “aeroporto que mais fecha no Brasil” (por conta da neblina), o Afonso Pena também pretende ter até 2014 o sistema ILS, que permite o funcionamento do terminal mesmo com neblina. Atualmente, em especial nas manhãs de inverno, é muito comum o local fechar para pousos e decolagens.

HOTELARIA
O comitê curitibano da Copa está tranquilo em relação ao sistema hoteleiro da cidade. Atualmente, segundo informação passada pela Secretaria Estadual de Assuntos do Mundial, a capital paranaense conta com 18.500 leitos. Mas a previsão é que até a Copa esse número ultrapasse 20 mil.
Além disso, o secretário Mário Celso Cunha confia no potencial de Foz do Iguaçu, a pouco mais de 600 quilômetros da capital, para atrair turistas. Lá, segundo ele, a capacidade hoteleira é invejável: 22 mil leitos.
- Temos a intenção de usar Foz do Iguaçu como atrativo. Da mesma maneira que os estrangeiros querem conhecer a Amazônia, Salvador e outros pontos turísticos, muita gente quer vir ao Brasil e ir às cataratas do Iguaçu. Vamos explorar isso com certeza – acrescentou o secretário da Copa.

INVESTIMENTOS
Sem contar o estádio, que é de propriedade do Atlético-PR, a cidade de Curitiba deve investir aproximadamente R$ 591 milhões em obras de urbanismo. Além dos R$ 450 milhões do PAC da Copa (Programa de Aceleração do Crescimento), os governos estadual e municipal pretendem injetar mais R$ 140 milhões. No geral, no entanto, a previsão de investimento ultrapassa os R$ 4 bilhões.
Os principais projetos de mobilidade urbana são: Trincheira Gustavo Rattmann, Linha Verde Norte, Binário Chile/Guabirotuba, Anel Viário, Rua 24 Horas, Avenida Marechal Floriano Peixoto, Avenidas Toaldo Túlio e Fredolin Wolf, Avenida Cândido de Abreu, Avenida das Torres (corredor aeroporto/rodoferroviária/estádio), Linha Verde Sul, Corredor Metropolitano, Marechal Floriano, Rodoferroviária, Terminal Santa Cândida, Sistema Integrado de Monitoramento e vias de Integração Radial Metropolitana.

Um comentário:

Régis/SP disse...

Estive recentemente em Curitiba e por estar próximo fui fazer uma visita guiada pela Arena da Baixada (ou mais moderno "meio" estádio do Brasil).
O detalhe interessante é a quantidade de alterações que o Atlético terá que fazer para a Copa.
Algumas são realmente necessárias, pois apesar de uma Arena moderna, possui alguns pontos cegos (como aquela imensas colunas atrás dos gols que impedem quem sente próximo a elas ver quem, por exemplo está cobrando escanteio no lado oposto).
Fora isso, achei um absurdo a necessidade de rebaixamento do gramado e eliminação do fosso.
No que isso atrapalha a Fifa?
O detalhe mais curioso, que não sei se a informação é correta, mas para se construir a metade (que nem é metade, mas sim 1/3) que falta, o Atlético gastaria o dobro do que gastou para fazer 2/3 da Arena. O dobro?
Sim, seria o dobro para receber, no máximo, 6 jogos e nenhum muito importante.
Fique de olho povo do Paraná, ou teremos mais uma sangria ao cofres públicos como tivemos aqui em SP.

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