segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Entrevista: Rogério Ceni

Reprodução: Site Oficial do SPFC
Kaue Freita

Nas vésperas do milésimo jogo, goleiro relembra carreira e elo de amor com o São Paulo


"Tu és forte, tu és grande. Dentre os grandes és o primeiro." O hino são-paulino foi escrito nos anos 30, mas esse trecho parece ter sido feito para retratar a vida de um ídolo que só nasceria quatro décadas depois: Rogério Ceni.


O goleiro completará duas marcas importantes nesta quarta-feira (07), em jogo contra o Atlético-MG, no Morumbi: 21 anos de São Paulo e o milésimo jogo pelo Tricolor. Neste período, o torcedor são-paulino viu crescer uma figura que supera o adjetivo ídolo, um mito, uma lenda viva que deixa qualquer um emocionado por sua dedicação e amor ao São Paulo Futebol Clube. Marca que só foi possível devido a mescla de profissionalismo e amor ao clube mostrada pelo camisa 1 do Tricolor.

Rogério Ceni: o goleiro de uma nação
"Me orgulho de tudo que fiz para ter a chance de ganhar. Sempre tive determinação, profissionalismo e dedicação. É uma marca importante. Pouca gente no futebol brasileiro conseguiu esta marca no mesmo clube. Impressiona até a mim mesmo", diz Rogério.
Mil jogos. Mil passos de uma caminhada recheada de títulos, alegrias e até mesmo momentos difíceis, como o ano de 2009. Foi em abril daquela temporada que Rogério fraturou o tornozelo esquerdo durante um treinamento no CT da Barra Funda.
Muitos, como ele mesmo cita na entrevista abaixo, não acreditavam no retorno do camisa 1 aos gramados. Porém, então com 36 anos, o goleiro surpreendeu mais uma vez, voltou a atuar antes do prazo estipulado e seguiu dando alegria aos torcedores.

Rogério Ceni: o maior goleiro-artilheiro do mundo
"Trabalhamos 128 dias, nove horas por dia de fisioterapia. Toda esta vontade de entrar em campo colabora. Já são 23 meses sem ter uma lesão grave", vibra Rogério, que esteve presente nos últimos 120 jogos do São Paulo.
São 999 jogos, 31 títulos e 103 gols. Números que ajudam a ilustrar a história de Rogério Ceni no São Paulo, trajetória que dispensa apresentações. História construída por um amor incondicional do goleiro pelo clube e do clube pelo goleiro, sentimento que fica ainda mais fortalecido com novos recordes alcançados a cada ano.
Próximo do milésimo jogo, o #M1TO abriu o coração e relembrou toda a carreira pelo Tricolor.

Entrevista com Rogério Ceni:

O início
Foi contra o Tenerife, em 1993. Foi lá onde tudo começou. Vencemos por 4 a 1. Fiquei sabendo que iria jogar uma hora e meia antes da partida. A primeira bola que veio, o cara fez gol em mim. Bateu forte e cruzado, não tinha como pegar. Mas aí reagimos. Defendi um pênalti e fomos para a final do campeonato (Santiago de Compostela). Na final estava 2 a 0 para o River Plate. Um massacre, mas aí empatamos após um deles ser expulso. Minha primeira decisão por pênaltis e defendi duas cobranças.
Destaque neste período
Teve o tricampeonato brasileiro, que foi algo inédito no país. Mas o que fica de especial ainda é a final do Mundial de 2005 contra o Liverpool. Uma representatividade grande, pois altera algo na camisa do clube.
Orgulho
Me orgulho de tudo que fiz para ter a chance de ganhar. Pois tem muita gente que se prepara e não ganha. Neste tempo deve ter tido gente até melhor que eu, mas nem teve oportunidade. Esta dedicação diária é o maior orgulho que tenho na vida.
Lesão de 2009
Muita gente achou que eu não voltaria a jogar. Foi uma lesão muito séria para alguém de 36 anos. Trabalhamos 128 dias, nove horas por dia de fisioterapia. Quebramos um recorde. Todos falavam em cinco meses e meio, mas batemos quatro meses e oito dias.
Rápida recuperação
Toda esta vontade de entrar em campo colabora. Tive três artroscopias no joelho, mas a lesão mais grave até então me deixou 35 dias fora.  Já são 23 meses sem ter uma lesão grave. As pequenas dores nós vamos contornando com a fisioterapia.
Concentrações
Em momentos da vida isso é chato. Mas quando você vai para o fim da carreira a concentração se faz necessária. Hoje, aos 38 anos, é boa e necessária para prolongar a carreira. Você tem boa alimentação, uma boa noite de descanso...
Milésimo jogo
É uma marca importante. Assim como o centésimo gol é um número redondo. Pouca gente no futebol brasileiro conseguiu esta marca no mesmo clube. Impressiona até a mim mesmo. Por tudo que aconteceu. Treinos, concentrações, jogos... É algo diferente. Nem eu nos meus melhores dias imaginava.
Preparado para quarta-feira?
É uma coisa bacana. Nos tempos atuais, isso é muito difícil de acontecer. Nada melhor do que comemorar este dia com uma grande vitória. Mas o jogo em si é mais importante, apesar de você levar para a história um fato de grande relevância.
Público no Morumbi
Lógico que o torcedor vai pela festa, mas vai para ver o São Paulo jogar, ganhar e tentar mais um título brasileiro, que seria uma coisa muito bacana. Espero o Morumbi esteja cheio. Torna-se algo especial para aquele torcedor são-paulino de coração.
Próximas marcas
Vou jogar até o dia que me sentir bem, com a cabeça boa para jogar. Jogar até eu tiver o ânimo de colocar a chuteira. O número que vai acabar não importa. O sétimo título brasileiro seria fechar com chave de ouro 2011. Voltar para a Libertadores é uma meta e ser campeão brasileiro também.
Rogério Ceni
Só não me conhecem quando estou dentro de casa e fecho a porta (risos). Sempre tive determinação, profissionalismo e dedicação. Nos momentos difíceis, como esta lesão de 2009, pedia para o pessoal do REFFIS fazer o terceiro turno. Falei que voltaria antes do prazo.

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