terça-feira, 27 de setembro de 2011

Mundial vai elitizar os torcedores brasileiros

Reprodução: ESTADÃO.COM.BR
Raphael Ramos

Estádios luxuosos e sem lugares populares tornarão o futebol nacional um lazer para os mais ricos

Entre as diversas transformações que a Copa do Mundo trará ao Brasil depois de terminada, destaca-se a mudança do perfil e, consequentemente, do comportamento dos torcedores. A expectativa é que ocorra uma elitização do público frequentador dos estádios, assim como uma espécie de "domesticação" desses torcedores. O próprio formato das arenas que estão sendo construídas foi concebido pensando nessa alteração.
É o que defende Antonio Holzmeister Oswaldo Cruz, doutor em Antropologia Social pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e que desenvolveu uma pesquisa sobre as transformações das torcidas e dos estádios ao redor do mundo.
"A elitização do público após a Copa é uma situação de causa e efeito que segue uma tendência quase que mundial no futebol globalizado de hoje", diz. "O que se busca é uma torcida mais expectadora do que participativa."
Ele cita o exemplo do Maracanã. O estádio que já chegou a receber mais de 183 mil pessoas teve sua capacidade reduzida para 86 mil espectadores após diversas obras de modernização. Para o Mundial, esse número diminuirá ainda mais: 76.500.
"Para onde vão esses quase 10 mil lugares que tiraram do estádio? Vão para camarotes e assentos maiores que a Fifa exigiu", afirma. "O futebol brasileiro vai ter de lidar com isso."
Marcos Alvito, antropólogo, professor da UFF (Universidade Federal Fluminense) e fundador da Associação Nacional dos Torcedores, destaca que um dos marcos desse processo de elitização do futebol brasileiro foi o fim da geral do Maracanã, em 2005.
"Foi desnecessário. O Maracanã deveria continuar como estava para os jogos nacionais e nos internacionais poderiam colocar cadeiras provisórias. Foi o que a Alemanha fez na Copa de 2006", diz.
Alvito também critica como o dinheiro público está sendo usado para o Mundial. Sua principal queixa é que os mais pobres estão pagando por estádios que não poderão usufruir depois.
"É um processo que eu chamo de Robin Hood ao contrário. Os estádios serão como shoppings, com lojas e restaurantes, já que se busca um público de maior poder aquisitivo", diz.

Comentário do blog
Como diz Lúcio de Castro, da ESPN Brasil, é a “higienização” dos estádios, o que tornará o futebol cada vez menos “popular”.
Já não temos pão e ainda querem nos tirar o circo.

4 comentários:

Anônimo disse...

Todo mundo está "careca" de saber, que a Copa do Mundo nunca foi espetáculo para "pobre" ... com o perdão da palavra ... com ingressos custando a partir de 160 euros (R$ 2,60), a população de baixa renda, nem chegará perto dos estádios ... aliás, em nosso futebol tupiniquim, o Corinthias já jogou o preço dos ingressos nas alturas, faz tempo ...

Geraldo

Xandão disse...

Guedex.... 90% do que o Lúcio de Castro diz eu assino embaixo!!! Esse cara é muito bom!

Abraço!

Guedex disse...

xandão,

O Lúcio pediu as contas do SporTV porque foi censurado. É mole?

Anônimo disse...

Só disse asneiras, não é só o futebol que segue esse novo perfil, mas todo empreendimento, seja esportivo ou não, vem mudando o foco e a maneira de gerir.

Isso é ótimo pro torcedor que recebe mais conforto e segurança por um serviço que hoje já paga bem caro sem receber nada disso.

Quem é contra a modernização dos estádios ou é mazoquista ou é burro. Prefere pagar caro pra tomar chuva na cabeça, ter seu carro correndo perigo na rua, mijar em banheiros fedidos e sujos e comer sfiha fria. É gostar de fazer papel de otário.

Quanto ao tirar cadeiras, isso vai acontecer em grande parte dos estádios, o cara além de otário é desinformado.

Reclama de governo, mas gosta de ser tratado como gado em estádio.

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