sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Tratamento fabuloso: conheça a luta de Luis Fabiano para voltar a jogar


Reprodução: globoesporte.com
Marcelo Prado e Sergio Gandolphi

GLOBOESPORTE.COM acompanha um dia de tratamento do camisa 9 e tem acesso ao seu histórico. Retorno aos gramados cada vez mais perto

Luis Fabiano está voltando. Cirurgias, fisioterapia, tratamentos (vários), ansiedade, nervosismo... Por tudo isso o camisa 9 do São Paulo passou nos últimos cinco meses, desde que foi anunciado como grande reforço do clube para a temporada. Esta semana, o GLOBOESPORTE.COM acompanhou o Fabuloso durante uma sessão de fisioterapia e teve acesso a todo histórico do tratamento já realizado na região posterior da perna direita.
E, depois de quase estrear (contra o Avaí, pela Copa do Brasil, em maio), enfim Luis Fabiano já fala com a confiança de quem não sente mais dores e já se imagina cada vez mais próximo do retorno aos gramados.
- Minha volta está próxima, muito próxima! Pode escrever aí... - garante o jogador!
Quando voltar a pisar no Morumbi como atleta do São Paulo, Luis Fabiano deixará para trás um período de quase 12 horas diárias de fisioterapia no Reffis (centro de recuperação), que testou a capacidade dele de conviver com a sua dor, e a paciência do goleador que ficou marcado em suas passagens pelo clube como um atleta polêmico.
- Eu mudei.

Luis Fabiano foi contratado no dia 11 de março do Sevilla por € 7,6 milhões (R$ 17,5 milhões), a maior contratação da história do clube. Depois de iniciar o tratamento na Espanha, veio para o Brasil e foi apresentado com direito a uma festa histórica no Morumbi, 18 dias depois.
Afinal, não é qualquer dia que 45 mil pessoas enchem um estádio sem ser dia de jogo. Daí para frente, parecia apenas o início de uma contagem de semanas para que o 12º maior artilheiro da história do clube, com 118 gols, pudesse reestrear.
O Fabuloso começou a primeira etapa da recuperação no Reffis com sessões de três horas diárias. No início, muito trabalho com gelo e eletroestimulação ou o uso de correntes elétricas para ativar a musculatura e drenar o edema provocado pela lesão.
- Ele chegou a fazer oito exercícios de fisioterapia diferentes. No início, eram três horas e, quando o processo foi evoluindo, passamos a oito e chegamos até a fazer doze horas de sessão. Algumas das técnicas podiam ser usadas simultaneamente. É claro, que, em determinados dias, diminuíamos a carga, ou deixávamos de fazer algum processo porque ele reclamava de incômodos. Por exemplo, um adesivo às vezes queimava a pele - lembrou o fisioterapeuta Luis Rosan.
No dia 21 de abril, liberado pelos médicos, Luis Fabiano treinou com bola pela primeira vez. O então técnico Paulo César Carpegiani chegou a pensar em utilizá-lo uma semana depois, contra o Goiás, no estádio do Morumbi, mas não foi possível.
No dia 6 de maio, o time enfrentaria o Avaí, também em casa, e tudo foi planejado para que o camisa 9 estivesse em campo. Ele chegou a treinar com os companheiros, fez gol em rachão, deu entrevista coletiva 48 horas antes do duelo, mas acabou derrotado por um vilão cujo nome causa calafrios no torcedor são-paulino até hoje: fibrose.
Esta terminologia nada mais é do que uma "casca" que cicatrizou dentro do joelho, e impedia o jogador de realizar todos os movimentos. Luis Fabiano teve de voltar para o Reffis e novamente passou a fazer intermináveis sessões de fisioterapia e fortalecimento muscular. Como não houve a evolução esperada, no dia 20 de maio ele foi operado para que esse material pudesse ser retirado.
Info mostra o local em que se formou a fibrose
retirada na cirurgia (Foto: arte esporte)
- Quando isso aconteceu, e claramente não estava nos nossos planos, tudo voltou para a estaca zero. Todo o trabalho de fisioterapia que havia sido feito foi descartado e iniciamos novamente. Não existe uma explicação para isso ter acontecido - lembra Rosan, quando questionado sobre o assunto.
À medida em que o tempo foi passando, um novo fantasma foi assustando os médicos do São Paulo. O corte feito atrás do joelho direito tinha um ponto que simplesmente não cicatrizava. Foram tentadas várias alternativas, e especialistas no ramo foram consultados. No final de julho, os médicos partiram para o tudo ou nada, e Luis Fabiano chegou a fazer sessões em uma câmera hiperbárica.
- Para explicar ao leigo, no ar que respiramos o nível de oxigênio é de 21%. Nessa máquina, você eleva para quanto quiser. Quanto mais alto, maior é a vascularização, o que facilita a cicatrização. Mas nem assim tivemos sucesso. Foi aí que definimos pela cirurgia plástica - explicou o fisioterapeuta.
No dia 29 de julho, Luis Fabiano voltou para a mesa de cirurgia, e o corte da primeira operação precisou ser aumentado (a cicatriz, hoje, possui cerca de 18 centímetros). O problema foi corrigido e, pouco mais de um mês depois, a cicatrização foi plena. O atacante então caminha a passos largos para a última etapa antes de ser liberado para retornar aos gramados.
- Ele agora está fazendo exercícios de musculação com muita carga e poucas séries, além de trabalhos na piscina. Como não há impacto, serve para nós termos a ideia se o atleta reclama de algum incômodo antes de partir para as atividades no gramado.
O trabalho em campo, chamado de proprioceptivo, é iniciado com os próprios fisioterapeutas, que depois repassam o atleta para a preparação física. Nessa etapa, são aperfeiçoadas situações de campo, como deslocamento, salto, potência e coordenação motora. Só a partir desse momento será possível ter uma ideia de quando o camisa 9 poderá voltar ao gramado.
Aliás, o fisioterapeuta do Tricolor fechou a cara quando foi questionado pela reportagem sobre quando Luis Fabiano estará em campo.
- Tudo está ótimo, caminhando bem. Mas não quero e ninguém do São Paulo vai falar em prazos, principalmente porque quando isso foi feito da última vez, eles não foram cumpridos. Quando ele estiver em condições, todos vocês vão saber.

Parceria de longo tempo
Luis Rosan e Luis Fabiano têm longo tempo de parceria. Ambos trabalharam juntos por três anos e meio na Seleção Brasileira comandada por Dunga. Quando se lesionava na Espanha, o atacante sempre voltava ao Brasil para se consultar com o fisioterapeuta são-paulino. Por isso, Rosan conta que, em alguns momentos, apesar de tentar ser o mais profissional possível, teve de amolecer e passar a mão na cabeça do paciente e amigo.
- Nesse período todo, só fiquei longe durante a Copa América da Argentina. Mesmo assim, acompanhava diariamente o tratamento via internet. Procuro ser extremamente profissional, mas em determinados momentos, você troca de papel e vira pai, psicólogo, amigo... Ele vai vencer essa batalha, está na parte final de recuperação. Eu tenho um carinho especial pelo Luis, não posso esconder isso.
Ver Luis Fabiano em ação. É o que o torcedor do São Paulo mais espera.

Um comentário:

Alan D'Avila disse...

Que estreie logo. Boa sorte!!!

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